Cirurgia geral

A cirurgia geral faz o tratamento cirúrgico de doenças de vários órgãos e variadas patologias, nomeadamente da pele, subcutâneas, do aparelho digestivo e endócrino, associadas à mama, metabólicas, da obesidade e defeitos anatómicos.

A Pequena Cirurgia mais frequente, com anestesia local, diz respeito a:

  • Sinais,
  • Quistos sebáceos,
  • Lipomas,
  • Unhas encravadas.

A Grande Cirurgia mais frequente, com anestesia geral, diz respeito a:

Os lipomas formam lesões palpáveis, de consistência firme e elástica que fazem relevo na pele, percetíveis quando se sente um nódulo (lesão arredondada) localizado abaixo da pele e tecido subcutâneo. O seu tamanho pode variar de meio centímetro a vários centímetros de diâmetro, passando a grandes lipomas. A pele que os recobre apresenta-se de aspecto normal e, na maioria das vezes são assintomáticos, podendo, em alguns casos, ser dolorosos.  

O tratamento é usualmente simples, através de uma cirurgia. A retirada cirúrgica é extremamente eficaz e pode ser realizada em consultório na maior parte das vezes, exceto quando atingem grandes dimensões.

Técnicas cirúrgicas adequadas permitem que lipomas grandes possam ser removidos através de pequenas incisões. A lipoaspiração poderá estar indicada em alguns casos.

Por vezes, o lipoma localiza-se por baixo da fáscia muscular, dentro ou abaixo do músculo, dificultando a remoção deste pela técnica tradicional e impedindo-a por lipoaspiração.

Vale ressalvar que outras lesões subcutâneas podem ser parecidas com lipomas, inclusive lesões malignas, como sarcomas e metástases cutâneas. 

O quisto sacrocoxígeno ou pilonoidal é uma supuração perianal, geralmente situada em posição sacrocoxígena.
É constituído por uma cavidade ocupada por pêlos que comunica com a pele por um ou mais orifícios, habitualmente de localização mediana, situada no sulco inter-nadegueiro, a cerca de 5cm da margem anal.
Pode apresentar-se como infeção crónica ou aguda, com ou sem trajetos fistulosos, normalmente contendo no seu interior tufos de pêlos.

São mais frequentes em adultos jovens do sexo masculino, entre a 2ª e a 4ª décadas de vida, raramente aparecendo depois dos 40 anos. Nas mulheres costumam aparecer em idades mais precoces, por volta dos 17 anos.

Os indivíduos morenos, com forte distribuição pilosa e a maioria das vezes obesos são os mais propícios ao aparecimento da doença.

A Senologia é o estudo dos seios.

Toda a mulher adulta deve realizar periodicamente a palpação de cada mama, de forma a melhor conhecer o seu corpo e ficar atenta ao aparecimento de qualquer alteração nodular na mama..

Mesmo não sendo um método completamente eficaz, como forma secundária de prevenção do cancro da mama, por vezes, a sua utilização consegue detetá-lo, tendo a grande vantagem de desdramatizar e sensibilizar a mulher para esta doença, aumentando a sua cooperação nos programas de vigilância clínica e imagiológica.

 

A tiróide é uma glândula localizada no pescoço, por baixo da cartilagem tiroideia.

A tiroidectomia consiste na remoção cirúrgica da totalidade ou de parte da glândula tiróide, estando recomendada em pacientes que tenham uma função tiroideia alterada e sem controlo, neoplasia ou complicações por compressão dos órgãos vizinhos.

A vesícula biliar está localizada na face inferior do fígado, sendo uma espécie de bolsa que serve de reservatório à bílis.

A colecistectomia está indicada aquando da presença de cálculos divertículos ou tumores e nas complicações da vesícula (colecistite aguda e icterícia por obstrução).

As hemorróidas são varizes, denominando-se vasos hemorroidários. Localizam-se no canal anal, ao redor (hemorróidas externas) ou dentro do ânus e na porção mais baixa do reto (hemorróidas internas). 

As hemorróidas são muito frequentes, sendo a sua prevalência semelhante em homens e em mulheres, principalmente na faixa etária entre os 45 e os 65 anos e podem surgir quando há um aumento da pressão nas veias da região anal, o que dificulta a circulação do sangue e dilata os vasos. Isto geralmente ocorre com maior incidência em doentes obstipados, em gravidezes e doentes obesos.

A retorragia é a manifestação mais comum e caracteriza-se pela saida de sangue vermelho vivo nas fezes. Se um dos sintomas é o prolapso, pode notar-se exteriorização de tumefação durante a defecação.

A fissura anal é um pequeno rasgo na pele em redor do ânus, que pode surgir após traumas, como a passagem de fezes duras ou grandes durante uma evacuação. A fissura anal costuma ocorrer em pessoas de meia-idade, mas também é uma causa comum de sangramento retal em bebês.

Abcessos e Fístulas anais podem ser considerados fases evolutivas da mesma doença e têm como ponto de partida, na maioria dos casos, uma infeção duma glândula anal (origem criptoglandular). Esta infeção da glândula anal pode levar à formação dum abcesso anal (na fase aguda) que depois de drenado origina, em 50% dos casos uma fístula anal (na fase crónica).

A drenagem do abcesso pode dar-se espontaneamente para dentro do ânus ou para a pele da região perianal levando à formação dum trajeto fistuloso entre o ânus e a pele, a que se chama fístula anal.

O canal inguinal é uma passagem natural que serve, nos homens, para os testículos descerem da parede abdominal para o escroto, contudo, após o nascimento, este canal tende a fechar-se, obstruindo a passagem do intestino por aí. 

A hérnia inguinal surge, normalmente, quando o canal inguinal não se fecha completamente após o nascimento do bebé, permitindo, deste modo, que uma porção do intestino possa descer até à zona da virilha e causar a hérnia.

Existem dois tipos de hérnia inguinal:

  • A hérnia inguinal direta, que surge quando uma parte do intestino sai através de uma fraqueza nos músculos abdominais, perto da virilha, sendo mais comum em homens adultos. 
  • A hérnia inguinal indireta, que surge em crianças mas, com maior incidência na idade adulta, por esforço. 

Existem dois tipos de tratamento para as hérnias: a cirurgia aberta e a cirurgia laparoscópica. 
Na cirurgia aberta usa-se malha sintética para reforçar a  área e impedir a recidiva.
Na cirurgia laparoscópica o cirurgião faz três incisões pequenas na parede abdominal e é inserido um laparoscópio, fechando o interior do abdómen e o orifício da hérnia com uma sutura e uma malha sintética.

De um modo geral, em hérnias umbilicais pequenas, o mais habitual é a presença de gordura.
Em crianças, a hérnia umbilical deve-se à ausência do fecho do anel fibroso ao nível do umbigo. Em adultos deve-se ao enfraquecimento da cicatriz umbilical, diretamente relacionada com um aumento na pressão intra-abdominal.

A hérnia umbilical infantil, normalmente desaparece de forma espontânea até aos 2/3 anos de idade e só deve ser tratada, caso persista, a partir dos 4 anos, a não ser que seja de grandes dimensões. No adulto é mais frequente no sexo feminino, sobretudo em mulheres obesas e multíparas, ainda que surja com alguma frequência em doentes cirróticos com ascite.

Manifesta-se pela presença duma tumefação ou protrusão umbilical, que pode ser exacerbada através de manobras que aumentem o volume intra-abdominal, tais como a tosse, o levantamento de pesos, a elevação da cabeça ou das pernas. Caso a hérnia não seja evidente, a realização de uma ecografia ou de uma tomografia pode auxiliar o diagnóstico.

As hérnias mais pequenas são assintomáticas, contudo o desconforto e a tumefação são as manifestações mais frequentes. Quando é dolorosa, deve-se à tração que proporciona nos tecidos vizinhos, à medida que aumenta o seu tamanho.

As veias dos membros inferiores têm a função do retorno sanguíneo. Dentro delas existem pequenas válvulas que impedem o refluxo venoso a jusante, devido à ação da gravidade mas, quando estas válvulas se tornam insuficientes o sangue não progride fazendo com que as veias se dilatem, tornando-se visíveis e com aspecto sinuoso.

No início da patologia as queixas mais comuns são a sensação de cansaço, peso e dor nas pernas, comichão, inchaço dos pés e tornozelos, dormência e cãibras. Estas queixas tendem a agravar-se após longos períodos em pé e melhoram durante a noite, agravando-se com o passar do tempo e com a idade. Se não forem tratadas podem originar úlceras de difícil tratamento. Em casos graves podem contribuir para a incapacidade profissional ou para desenvolver tarefas domésticas.